Bicama

Foi mais forte que eu, desta vez estabeleci como meta sair com um boy que ao menos pagasse um vinho decente. Like vai, like vem, conheci um homem educado, de exatas, Ciências da Computação, capricorniano, Lucas, aquele que brilha, parecia ser bem resolvido. Ele me chamou para jantar e tomar um vinho.

No primeiro encontro com o príncipe, tudo estava tranquilo. Aparentemente, ele era desconstruído. Entretanto, em alguns momentos, notei falas machistas; preferi me fingir de besta, e ficamos.

Normalmente, até as pessoas solteiras gostam de ter cama de casal para ter maior conforto ao dormir. Esse não era o caso; o boy tinha uma bicama. Em dado momento, ele puxou o seu cantinho. Achei estranho e o questionei no dia seguinte acerca do porquê da escolha do móvel. Sua resposta foi que as pessoas não dormiam lá e que também evitava se apegar.

Enfim, o melhor está por vir.

...

Na semana seguinte, ele me chamou novamente para jantar. Como gosto de cozinhar, na primeira vez fiz um macarrão com molho branco e, desta vez, pensei em fazer um macarrão com molho pesto, que combinaria com o tipo de vinho que ele gosta. Falei que iria levar o prato, mas percebi que ele não tinha lavado a louça do jantar anterior – ou seja, uma semana com a louça suja.

Além disso, ele começou a falar sobre panelas e sugeriu que eu levasse as minhas para o encontro e as levasse de volta após o uso. Vamos combinar, foi um tanto quanto machista. Quando cheguei lá, ele tinha algumas questões da empresa para resolver. Como uma moça educada que sou, deixei que ele continuasse o trabalho interminável.

Ele puxou a bicama e foi deitar, sem ao menos experimentar a comida. Movida pela raiva, falei que iria para casa, olhei bem para a cara dele e disse que tinha uma cama de casal na minha casa e que estava indo embora. Já era uma hora da manhã. Ele ficou desacreditado, disse que ninguém nunca tinha feito isso com ele, e eu disse: "Prazer, meu nome é Fulana". E, como em uma novela mexicana, bati a porta e fui embora. Chega uma hora na vida em que a gente se cansa de aguentar esse tipo de molecagem.

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