Rompendo a barragem
Certa vez, no início de um namoro cheio de amor e romantismo, combinamos de sair de Brasília para Goiânia em um domingo de manhã. O plano era pegar a estrada cedo para aproveitar a paisagem e conversar. Acordei super animado, tomei um banho, escolhi uma bermuda estilo sport fino, uma camisa polo, meias brancas e tênis, e fui buscar a minha namorada.
Quando ela entrou no carro, disse que estava com fome e sugeriu irmos a uma padaria famosa da cidade para tomar café da manhã antes de seguir viagem. O dia estava perfeito até ela pedir pão de queijo e chocolate quente. Normalmente não costumo comer de manhã, mas para acompanhá-la, comi também.
Após o café, seguimos viagem ouvindo música, conversando e rindo. Porém, minha barriga decidiu participar da conversa e começou a resmungar. A viagem continuou e os resmungos se transformaram em gritos desesperados, como se estivesse dizendo: "Vai dar merda!" Comecei a suar frio, o tempo parecia desacelerar e a voz da minha namorada parecia distante, como se estivesse voltando de uma experiência de quase morte.
Fui o mais rápido possível em direção a um posto de gasolina ou qualquer lugar com um banheiro onde eu pudesse me aliviar. Ela percebeu que eu estava branco como um papel e suando muito, e perguntou se eu estava bem. Eu só dizia que era por causa do calor.
Finalmente, avistei um posto de gasolina e parei o carro. Disse a ela que ia ao banheiro e que seria rápido, apenas um xixi. Mas ao baixar as calças, vi algo que se assemelhava ao rompimento da barragem de Brumadinho. Parecia que estava arrancando meu intestino. A situação estava tão ruim que os barulhos ecoavam pelo banheiro e, quando achava que tinha acabado, vinha outra leva de... bem, daquela sujeira líquida que faz você sentir que está queimando.
Depois de uns 10 minutos no banheiro e ela me ligando insistentemente para saber o que estava acontecendo, fui procurar papel higiênico e, para minha surpresa, não tinha nenhum. Pensei: "Pronto, agora terminei de lascar o meu dia." Achei que ia perder o dia, o relacionamento e até minha dignidade. Foi então que tive a brilhante ideia de usar as meias para me limpar. Afinal, o que era um peido para quem já estava todo cagado?
Ao sair do banheiro, de cabeça erguida, e entrar no carro, a primeira coisa que ela me perguntou foi: "Ué, pensei que você tinha vindo de meia!" Pois é, eu vim, mas não vou voltar de meia. Ela fez a ligação e começou a rir descontroladamente, e eu não tive escolha a não ser rir também até doer a barriga. Felizmente, não passei mal durante o resto da viagem. Enfim, chegamos bem, ela se divertindo e eu sem minhas meias novas e com um pouco da minha dignidade a menos.
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